A Sevilha de João Cabral de Melo Neto

Muita gente me pergunta que escritores e livros influenciaram minha fotografia e minhas andanças pelo mundo. Claro, são muitos, mas vou começar por um que me acompanha desde a época de faculdade – João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Para os viajantes mais entusiasmados, começo sugerindo um livro lançado em 2016, pela editora Alfaguara, intitulado João Cabral de Melo Neto – A literatura como turismo, uma coletânea de poemas feita pela filha do poeta, Inez Cabral, que mostra como a vida de diplomata (e o fato de ter morado em vários países) afetou sua obra de forma significativa. 

Embora a obra do poeta pernambucano esteja associada a maioria das vezes ao imaginário nordestino, ao sertão e à Recife, ela também nos leva direto ao país das castanholas. Basta um olhar atento para perceber que grande parte da obra de João Cabral tem um pé em Pernambuco e outro na Espanha, um olho cá do oceano, outro lá. Viveu em terras espanholas por mais de 10 anos, intercalando outros locais do mundo com moradas pelas cidades de Barcelona, Madri e Sevilha, sempre atuando na área diplomática. 

Em 2009, ano que vivi na Espanha, resolvi explorar o rico universo imagético de um livro pouco conhecido de João Cabral, chamado Sevilha Andando, sua última obra em vida, lançada em 1990, na qual sua relação poética com a Espanha se consolida numa obra totalmente versada sobre a cidade andaluz. João Cabral cita locais e aspectos bem particulares de sua gente e sua cultura, como se estivesse recriando um roteiro imaginário por ruas e praças. Nos fala do serpenteado das vias estreitas, da Sevilha que é cítrica, onde a chuva nunca é triste, Sevilha que é mulher, que tem a saia revoada, que é uma cidade ilha, fala da civilizada Sevilha, da Sevilha “onde cabe tanta poesia”. 

A partir deste livro nasce um dos ensaios fotográficos que mais tenho orgulho em minha carreira, Sevilhizar-se. Traz neste título uma referencia direta à uma frase bastante emblemática do escritor: “Há que sevilhizar a vida. Há que sevilhizar o mundo”. Um trocadilho com a palavra civilizar que demonstra a admiração pelo local. 

Recomendo imensamente a leitura da obra de João Cabral de Melo, uma bomba imagética capaz de ensinar muito sobre fotografia, sobre literatura e sobre viagens, temas principais deste blog.

Bom…e você pode ver outras imagens em meu site. Se quiser se aprofundar um pouco mais sobre as andanças de João Cabral pela espanha, publiquei em 2010 uma reportagem sobre a estada do poeta em Barcelona, na década de 1950. Tenho um carinho especial por essa reportagem, publicada da Revista do Brasil. Conheci pessoas muito especiais. Basta clicar aqui.

A galeria, desta vez, é de poemas, só pra variar.

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