Pesquisa: o início do movimento

Vai viajar? Procure um romance (ou um livro de contos, de poesia) sobre o seu destino. De preferência  de um escritor nativo e, se possível, que esteja realmente embrenhado na cultura e na história do lugar.

Essa é minha resposta básica quando perguntado sobre as pesquisas que realizo para minhas viagens e meus projetos. Vejo na pesquisa um momento crucial da viagem e é também o início de um movimento (dentro da gente) antes do deslocamento. 

Como um blog não é um local pra se alongar muito, vou contar um caso bem singelo, curto, mas extremamente emblemático para mim, um fotojornalista fanático pela literatura e pela língua. De uma única palavra do idioma francês nasceu a imagem (também simples e singela) que abre meu livro À luz de Paris, meu segundo guia literário, lançado em 2013. 

Após esta história, inseri mais uma imagem importante para mim, que nasceu durante a pesquisa de meu guia São Paulo, literalmente, muito antes de a viagem começar. Em breve falarei sobre ela. Caminhemos com calma.

Vamos lá:

Livros livres

A foto que você verá abaixo nasceu muito antes de eu partir para a cidade luz. Admito que não é uma grande imagem, que mereça destaque por si só, mas ela ganha importância por encaixar-se perfeitamente em um projeto complexo, com muitas imagens e muitos textos, que costuma consumir um ano de trabalho.

Em geral são seis meses de leitura intensa. No caso de Paris foram mais de 70 romances e algumas obras complementares – biografias de autores, guias diversos e livros de história, gastronomia… Assim nascem os primeiros traçados e os possíveis roteiros literários por uma cidade que, neste caso, eu nem conhecia. 

Havia ainda uma outra variável – o idioma francês.  Claro, dá pra usar o inglês (foi-se o tempo que os franceses torciam o nariz para uma língua que não a sua), mas resolvi estudar um pouco de francês para chegar lá mais adaptado e arriscando uma aproximação no mínimo simpática e respeitosa. 

Fiz três meses de aula desse aveludado idioma, com uma professora muito jovem, chamada Cíntia, que às vezes me dava a sensação de estar num filme francês – sou muito sugestionável. 

Logo nas primeiras aulas deparei com a palavra livres. Sua pronúncia poderia deixar alguma dúvida, mas a escrita é igualzinha em português – livres. Qual minha surpresa quando descobri que essa palavra tinha como significado outra tão importante para mim: livros. Ou seja: livros em francês são livres. Bonito, não? Se você sabe um pouco de francês pode achar pouca coisa minha descoberta, mas para quem estava fazendo um guia de viagem a partir da literatura francesa aquilo era uma poesia e tanto. Afinal, para mim, a liberdade de viajar está intimamente ligada aos livros. E aos livres, se preferir.

Logo me ocorreu a ideia de usar essa imagem na guarda do livro, a página dupla que dá as boas vindas ao leitor, antes mesmo de a leitura começar. 

Meses depois parti para Paris. Junto comigo a ideia de registrar esta palavra de alguma forma, provavelmente na porta de uma livraria. Foi o que fiz. O resultado é essa imagem que avisa aos leitores como devemos nos sentir durante a viagem que vai começar.  Bon Voyage!

Guarda do livro À luz de Paris – guia turístico literário da capital francesa
Repare no passarinho à esquerda.
Depois conto como ele virou a capa de meu guia de São Paulo

2 comentários em “Pesquisa: o início do movimento”

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