Um livro no mundo, um mundo num livro.

Ontem, 23 de abril, foi o Dia Internacional do Livro. Na verdade, não me parece que temos muito o que comemorar. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2018, 44% dos brasileiros não tem o hábito de ler, e 30% nunca leu um livro, sendo que a falta de incentivo e a dificuldade de acesso a bibliotecas (ou para adquirir livros) estão entre as principais causas do problema.

Ou seja, ainda falta muito para sermos uma nação de leitores. Lembro-me, quando recentemente comentei com uma grande amiga (Giedre Moura) que ia lançar um novo livro, dessa vez de forma independente, e ela disse que achava isso uma grande “ousadia”.  Logo acrescentou: “Ousado é um elogio, tá?”, e foi uma das primeiras pessoas a acessar a página do Catarse e comprar o Buenos Aires, livro aberto, que está em pré-venda até a próxima segunda-feira, dia 29. 

A palavra ousadia ecoou por alguns dias na minha cabeça e me fez pensar no que realmente faz alguém enfrentar novamente a aventura de se colocar um livro no mundo. No meu caso, confesso, tem a paixão pela leitura e a crença inabalável de que o livro é realmente capaz de mudar a vida pessoas, como mudou a minha. 

Não posso dizer por outros autores, mas para mim, que tem feito guias literários, livros complexos, que exigem muita pesquisa e organização, há também o entorno da obra – um monte de gente que participa da sua produção, que dedica tempo e carinho para que tudo fique perfeito, para que o objeto impresso saia da melhor forma possível. 

Bom…aí é preciso falar não só de uma equipe contratada, mas falar da amizade, em especial da amizade de pessoas extremamente competentes que tive o grande prazer de trabalhar nos últimos meses. 

Vou começar pelo cara que faz meu texto escrito no Word virar algo belo. Alexandre Pottes Macedo, designer, grande fotógrafo, amigo de longa data, conseguiu tirar lágrimas de meus olhos com algumas soluções que deu ao projeto gráfico do Buenos Aires, livro aberto. Sou suspeito pra falar, mas está uma lindeza só. 

Lembro-me quando cheguei para ele e lancei o desafio de fazer um livro com apensas duas cores (meus outros livros são bem coloridos) e vi surgir um guia com imagens preto branco (o que eu considero uma ousadia) e uma infinidade de tons de azul que lhe deram uma identidade incrível, que eu nunca imaginara ser possível. As cores da bandeira e a cultura argentina se traduzem a cada página.

Mapas, Ícones, aberturas, legendas, excertos, epígrafes, tudo se encaixa de forma harmoniosa. Bom, sem contar que as idas e vindas desse livro certamente fortaleceu nossa amizade que já vai pra mais década. 

Tem também a Fabiana Biscaro. Foi minha caloura na faculdade de Jornalismo e há mais de 30 anos é uma dessas amigas do coração, pessoa doce, delicada, competente. Depois de uma larga experiência como redatora tornou-se uma exímia revisora e hoje é preparadora, figura pouco conhecida “do grande público”, mas essencial na produção de um livro, ainda mais de um livro complexo como o meu. O preparador examina todos os detalhes da obra, vê incoerências, erros, repetições, frases mal acertadas, confere o projeto gráfico, confere ortografia, concordância, discordâncias…

Em resumo, Fabiana foi um anjo que desceu do céu e me deixou dormir mais tranquilo.  

Claro, tem mais um monte de gente e vou lamentar esquecer alguém. Tem a Sônia Vaz, que fez os mapas do guia com o maior capricho; tem a Livia Deorsola (que não conheço pessoalmente), que fez um ótimo trabalho de revisão; tem o Tiago Ferro, editor, que fez a primeira leitura e os primeiros ajustes no texto – ele é também o responsável pela versão em e-book, que será lançada em breve ; tem o pessoal da gráfica, a Letícia, o Domenico (que foram super pacientes com um autor independente de primeira viagem) e mais um monte de gente que leu as primeiras versões do texto e deram seus ótimos pitacos – Renata Machado, Celso Zonta, Ramiro Caggiano (provável tradutor para o espanhol), Yeda Caggiano (companheira do Ramiro) que fez uma leitura minuciosa e apontou várias indelicadezas do texto; a Tainã Bispo, editora dos meus outros três livros e quem me ensinou muito sobre o mercado editorial; tem também o pessoal da Mazs Comunicação, a Daniela Bochenbuzo e o Vitor Brumati, que têm sido incríveis na divulgação do projeto e na parceria. 

Enfim…. Tem muita gente envolvida na produção de um livro. Tem inclusive a pessoa a quem dedico esse livro, mas que ainda não sabe disso e vou manter em segredo por enquanto. Quero que no dia do lançamento ele veja seu nome escrito nas primeiras páginas, com a frase “Para xxxxxx, o irmão que a vida me deu”.

E é por isso que dedico o texto de hoje ao livro, mas também à amizade. Em alguns dias, Buenos Aires, livro aberto estará pronto, saindo da gráfica, e aí sim vai ganhar o mundo.

Talvez a ousadia esteja no fato justamente de lança-lo num país de poucos leitores, que não valoriza devidamente a educação, que não valoriza a cultura, a leitura, a literatura…

Seja como for, já valeu a pena. Meu livro está rodeado de amigos, de carinho e de esperança. Viva o livro, livro é resistência. Viva a amizade. E muito obrigado a você, que me lê, que faz da leitura uma forma de viver melhor.

Como disse o escritor argentino Julio Cortázar, “A literatura é uma das possibilidades da felicidade humana. Fazer e ler literatura.”

Em tempo: Embora não faça parte da equipe do livro, não posso me esquecer da pessoa que me acompanha em todas as caminhadas, a mulher da minha vida, minha parceira de hoje e de sempre, Flavia Asbahr.

2 comentários em “Um livro no mundo, um mundo num livro.”

  1. Amigo querido, foi uma sorte e uma alegria ter trabalhado com você. Como diz lá no post do Mia Couto, é dessas coisas que a gente se orgulha de ter feito. Seu livro é lindo. Sucesso! E muito obrigada!

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